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Investigação

 

 

Os membros do Grupo de Investigação Identidades, Culturas e Vulnerabilidades trabalham numa ampla variedade de temas e escalas de análise com base na etnografia – desde projetos de proximidade com parceiros sociais e académicos (comunidades de emigrantes, administrações locais, sociedades científicas) de pequena e média escala a projetos de financiamento por concurso que mobilizam equipas diversificadas  envolvidas nos debates teóricos internacionais.  

O grupo integra antropólogos e outros cientistas sociais envolvidos em trabalhos de índole etnográfica, histórica, e visual-artística. Combinamos a perspectiva de múltiplas disciplinas, e temos vindo a promover proactivamente ações conjuntas e linhas de investigação com outros Grupos de Investigação do ICS em torno de tópicos de investigação que congregam o ICS  - sustentabilidade, inclusão, memória, legados do passado ou cidadania. Em debates sobre temas como migrações, alimentação, saúde, corpo, ambiente, trabalho, racializações, resistências e subversões ao poder, os seminário do GI têm vindo a promover interfaces centrais à transversalidade das nossas análises.

Racialização e racismo
Tendo em conta a produção social de identificações racializadas e a sua naturalização enquanto entidades biológicas, estudamos empírica e analiticamente o modo como são formadas as categorias de segregação, hierarquização e racialização nas sociedades de plantação (plantation) ou similares, e como são vividos os seus legados. O projecto de investigação “A cor do trabalho” (The Colour of Labour), de bolsa avançada do Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), mobilizou vários investigadores em torno destas questões nas Guianas/Caraíbas de influência britânica após a abolição, no Hawaii reino e território anexado, na Nova Inglaterra industrial, São Tomé, Maurícias, Europa contemporânea, abordando trânsitos, fluxos e modos de recrutamento da força de trabalho pos-escravatura através das unidades convencionais de análise dos poderes imperiais.

Os lugares importam
A investigação realizada por vários membros deste GI contribui para enfrentar a devastação  criada por várias formas de deslocamento forçado, através de vários projetos sustentados em pesquisa etnográfica e colaborativa em contextos urbanos e rurais em Portugal, assim como em contextos indígenas em várias outras partes do mundo, nomeadamente em países de língua oficial portuguesa onde a questão da terra e da paisagem são vistas sob a crítica do colonialismo e as perspetivas de futuro em articulação global. A temática do nacionalismo ganha também um lugar de destaque nesta linha de análise e é desenvolvida por um outro conjunto de investigadores neste GI, associando fluxos de diaspora (com portugueses, São Tomé, angolanos, australianos, alemães e brasileiros) ao estudo de projetos de vida, mas também a ligação com a comida, a consumos culturais, a aspiração de cidadania no mediterrano ou a análise de circulação global de pessoas e objetos. Trabalho colaborativo em bairros de Lisboa conotados com marginalidade têm ganho terreno na margem sul e num H2020 (ROCK) sobre a regeneração de centros históricos da cidade.

Corpo, materialidades e saúde
Várias investigações em curso neste GI abordam práticas corporais como forma de estudar processos sociais, micropolíticas, aspirações de vida,  estratégias de posicionalidade, pertença e redes, construção de sentimentos de pertença, narrativas de identidade e experiências vividas. O estudo da alimentação, de casas e cultura material doméstica, usos de media, práticas de cura, nascimento, envelhecimento e respostas materiais a vulnerabilidades, combinam a tradição de trabalho de campo etnográfico com teoria antropológica contemporânea. 

As inúmeras publicações dos membros deste GI refletem a robustez e inovação do que tem sido produzido. Este grupo integra também a rede de estudantes do Doutoramento em Antropologia, viabilizando uma sinergia máxima entre investigação e ensino avançado. Isto é concretizado em seminários conjuntos, e na imersão dos estudantes na coordenação e o estímulo para que participem das principais atividades do GI. As actividades Oficina de Etnografia e Laboratório de Publicações tem vindo a consolidar mais ainda essa articulação. O nosso perfil de investigação e Ensino tem atraído muitos estudantes e investigadores internacionais que integramos nas actividades do GI, assim como nas nossas múltiplas redes internacionais de investigação, ensino e governança científica no âmbito das grandes associações de antropologia  (EASA, AAA, WCAA).